Projeto Guiana e a misteriosa expedição Jari na Amazônia brasileira de 1935-1937 são tema de conversa com Jens Glüsing
Dois anos depois da ascensão de Adolf Hitler ao poder, três jovens alemães, membros do partido nazista, exploraram por dois anos a Amazônia brasileira, perto da fronteira com a Guiana Francesa. A Expedição Jari liderada pelo biólogo e geógrafo Otto Schulz-Kampfhenkel aconteceu com o apoio do governo de Getúlio Vargas e o regime nazista na Alemanha.
O que queriam os nazistas na Amazonia brasileira? A resposta a esta pergunta está no foco do livro “Das Guayana-Projekt” (O Projeto Guiana) de Jens Glüsing, correspondente da revista alemã Der Spiegel no Brasil. A publicação revela que, pouco antes da Segunda Guerra, militares nazistas planejavam estabelecer uma colônia no meio da selva amazônica. Segundo o livro Das Guayana-Projekt expedições de cientistas alemães à Amazônia entre 1935 e 1937 levaram à idéia de criar uma área nazista na região.
O assunto é o foco central da palestra “O sonho da Amazônia nazista” ministrada por Glüsing na próxima segunda-feira, dia 22, com início às 19 horas, no Baukurs Cultural. Também haverá a exibição do filme histórico “Rätsel der Urwaldhölle” (1938) sobre a expedição à Amazônia brasileira entre 1935 e 1937, filmado por Otto Schulz-Kampfhenkel e produzido pela UFA. A entrada é gratuita e estão sendo oferecidas 30 vagas, porém, é preciso fazer a reserva com antecedência no Baukurs Cultural.
Palestra
O autor Jens Glüsing, correspondente da revista alemã Der Spiegel no Brasil, citará planos nazistas para invadir o Suriname e a Guiana Francesa com tropas que desembarcariam na Amazônia brasileira.
A área seria “perfeita para ser colonizada pela raça nórdica ariana”, disse o autor da idéia, o alemão Otto Schulz-Kampfhenkel, em uma carta ao então todo-poderoso general nazista Heinrich Himmler.
Os nazistas chegaram a se interessar pelo plano mirabolante, já que segundo Schulz-Kampfhenkel “uma base no norte da América do Sul diminuiria a influência dos Estados Unidos na região”. Enviados de Hitler chegaram a fazer expedições na floresta. “Trata-se de um dos capítulos mais estranhos da era nazista”, diz Glüsing, que para seu livro fez pesquisas na Alemanha e no Brasil.
A obra foi publicada na Alemanha e gerou grande repercussão. Agora o debate está sendo trazido para o Baukurs Cultural. Segundo Jens Glüsing, o plano não foi adiante porque os nazistas tinham outros projetos mais importantes a realizar e a Guiana Francesa estava sob o comando do regime de Vichy, na França, que era uma marionete dos nazistas. “Submarinos alemães usaram a Guiana Francesa como base para atacar navios que trafegavam na região”, diz Glüsing.
Há três anos diretor do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o alemão Christoph Jaster, organizou uma expedição três anos atrás para localizar pistas das expedições nazistas. No livro, Glüsing diz que “tudo que ele encontrou foi o túmulo de um colega de Schulz-Kampfhenkel.” A cruz de madeira no meio da floresta ilustra a capa do livro.
Serviço:
Baukurs Cultural. Rua Goethe, 15, Botafogo, Tel.: 2530-4847. Segunda (22). Horário: 19h às 21h30. Grátis. Site: www.baukurscultural.com.br.


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